Muita gente entende isso errado sobre a Batalha de Culloden e os Jacobitas

Hoje marca o aniversário da Batalha de Culloden, e aproveito a data para corrigir algumas informações equivocadas que aparecem com frequência em conteúdos em português sobre o tema:

1. Culloden não foi uma batalha entre ingleses e escoceses.


Foi, na verdade, uma guerra civil britânica, com escoceses, ingleses e outros britânicos lutando em ambos os lados do conflito. Reduzir o evento a um confronto entre duas nações é uma simplificação histórica incorreta.

2. Os jacobitas não lutavam pela independência da Escócia.


Essa é a confusão que mais corrijo nos meus tours. O movimento jacobita buscava restaurar a dinastia Stuart ao trono britânico, e não criar um Estado escocês independente.

3. A maior parte dos escoceses não apoiou os jacobitas.


Diversos clãs das Terras Altas e grande parte das Terras Baixas permaneceram leais ao governo hanoveriano. O apoio jacobita variou conforme região, religião, interesses econômicos e lealdades dinásticas, o que impede simplificações absolutas.

4. O exército governamental não era composto apenas por ingleses.


Os escoceses estavam presentes em ambos os lados do conflito, e o exército governamental incluía um contingente significativo deles, incluindo regimentos das Highlands. Também havia estrangeiros lutando em ambos os lados.

5. Culloden fez parte de uma disputa dinástica europeia mais ampla.


O levante jacobita estava inserido no contexto das rivalidades políticas e religiosas da Europa do século XVIII, com apoio internacional, especialmente da França.

6. Por que Culloden marcou tanto as Highlands?


Culloden marcou profundamente as Highlands devido às repressões que se seguiram à derrota jacobita. Embora o apoio ao levante não tenha sido unânime, a região foi alvo de punições generalizadas porque foi onde o movimento teve início (por questões estratégicas) e se beneficiou do sistema de clãs, que permitia aos chefes mobilizar e mesmo obrigar homens em suas terras a lutar pela causa, pressionados por dever de lealdade, dependência econômica ou coerção social. Como consequência, muitos na região pagaram o preço pelas ações de uma minoria que de fato se envolveu. E isso acabou reforçando a associação simplificada entre Highlands e jacobitismo.

7. Narrativas romantizadas frequentemente distorcem o entendimento histórico.


Embora a série Outlander apresente o contexto de forma relativamente fiel, muitos espectadores interpretam o conflito como uma luta nacionalista, o que não corresponde à realidade histórica.

Culloden foi importante por ser a última batalha travada em solo britânico, e também por ser profundamente triste. De um lado, homens comuns (vários dos quais nem queriam estar ali) cansados, mal treinados. Do outro, um exército profissional, organizado e descansado. Nessas circunstâncias, o confronto tornou-se devastador para os jacobitas, que tinham poucas chances reais de vitória.

As fadas da Escócia

Morag, o outro monstro do Lago na Escócia

Todo mundo já ouviu falar do Lago Ness e do monstro. Ou melhor, da monstra que mora nele, a famosa Nessie.

Mas o que pouca gente sabe é que a Nessie tem uma prima chamada Morag, que mora em um lago ainda mais profundo, não muito longe dali: o Loch Morar.

O Loch Morar, é o lago de água doce mais profundo não só da Escócia, mas de todas as Ilhas Britânicas, com cerca de 310 metros de profundidade. Isso equivale aproximadamente à altura de um prédio de mais de 100 andares. Histórias antigas falavam de um espírito das águas ou até de uma espécie de sereia vivendo nas profundezas.

Mas os primeiros registros documentados de aparições datam de 1887. Desde então, já foram reunidos mais de 30 relatos, sendo que 16 deles envolveram múltiplas testemunhas.

Um dos episódios mais famosos aconteceu em 1969, quando dois pescadores disseram que o barco deles bateu em um animal de cerca de seis metros de comprimento, de corpo longo e escuro. Segundo o relato, a criatura reagiu e um dos homens tentou afastá-la com um remo, enquanto o outro chegou a disparar um rifle antes que ela desaparecesse nas águas profundas.

Essa história chama atenção por um motivo curioso:

A última vez em que, segundo relatos, Nessie teria atacado alguém foi no século VI, quando São Columba teria impedido que ela atacasse um de seus monges. Já a Morag, andou atacando pescadores em pleno século XX. 

Ou seja, sabemos quem é a prima brava da família…

E talvez a Nessie tenha se tornado celebridade enquanto a Morag permanece relativamente desconhecida porque o Lago Ness seja mais seguro que o Loch Morar. Enquanto centenas de milhares de pessoas visitam o primeiro todos os anos, quase ninguém está olhando para o segundo.

St Patrick era escocês?

E se eu te disser que Saint Patrick não era irlandês, não se chamava Patrick e não expulsou as cobras da Irlanda?”

Mas tem uma história de vida que parece um roteiro de filme:

Nos textos dele, Patrick diz que nasceu em um lugar chamado Bannavem Taburniae, na Britânia romana. O local exato ainda é debatido, mas muitos historiadores acreditam que poderia ter ficado na região que hoje corresponde ao sudoeste da Escócia. 

Ou seja: St Patrick seria escocês! 

Seu nome original, segundo tradições posteriores, teria sido Maewyn Succat. Ele passou a usar o nome Patrick (Patricius) quando se tornou missionário.

Quando tinha cerca de 16 anos, Maewyn foi sequestrado e levado como escravo para a Irlanda. Durante seis anos, viveu nas montanhas cuidando de ovelhas. Foi nesse período que ele começou a rezar e desenvolveu a fé que mudaria sua vida. 

Um dia, ainda escravo, Maewyn/Patrick teve um sonho dizendo que um navio o esperava. Ele então caminhou mais de 300 km até a costa e conseguiu embarcar no tal navio e escapar. 

Anos mais tarde, porém, decidiu retornar à Irlanda como missionário, tornando-se a figura cristã mais famosa da história do país.

E a famosa história de que ele expulsou cobras da Irlanda? Nem teria como ser verdade porque desde a última era glacial não existem cobras na ilha. A história é provavelmente simbólica, com as cobras representando o paganismo que Patrick teria combatido ao espalhar o cristianismo.

Então fica a dúvida: no St Patrick’s Day só pode usar verde e beber cerveja… ou vestir tartan e tomar whisky também está liberado?

O túmulo roubado de Angus Martin, na Ilha de Skye

Imagina gostar tanto de uma lápide… que você decide usá-la como a sua.

Segundo a tradição local, foi exatamente isso que Angus Martin teria feito.

Esse é o túmulo dele, em Kilmuir, na Ilha de Skye.

Mas essa lápide não foi feita para ele.

As características sugerem que se trata de uma lápide medieval em relevo (effigy slab), datada entre os séculos XIII e XV. Era um tipo comum na Escócia medieval para representar guerreiros ou figuras de status.

Dizem que Angus, conhecido como Angus of the Wind por enfrentar o mar em qualquer clima, teria trazido essa pedra de um túmulo real na Ilha de Iona para usá-la como sua própria lápide. Algumas histórias dizem ainda que ele a carregou nas costas, desde o navio até o cemitério, colina acima.

Não existe confirmação histórica de que Angus esteja realmente enterrado aqui, nem de onde veio essa pedra.

Mas tudo indica que essa lápide é mais antiga do que o túmulo. Existem outras parecidas que, por serem muito antigas, dificilmente podem ser identificadas hoje. Alguns dizem até que essas figuras seriam de cavaleiros templários, mas não há evidência para isso.

O mais curioso, além da ideia de alguém escolher a própria lápide, é que essa pedra continua ali… contando uma história que pode não ser de quem está enterrado embaixo dela. Uma história que, possivelmente, jamais saberemos.

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